O Abertinho

Em tempos de neomacartismo e jurisprudência da destruição, arte, política e cultura em textos nem um pouco ortodoxos

Paradigmas para o combate a fome: China, Cuba, Brasil

 

Tanto a China quanto a Rússia, nos últimos anos, tem anunciado metas ambiciosas de combate à pobreza. Como tudo o que é chinês, é grandioso o que se diz naquele país sobre o fim da fome e da miséria. Contudo, somente depois de cumpridas condições bem particulares, os dois países asiáticos se lançaram nessa campanha. O Brasil continua sendo, no século XXI, o modelo para outros países. Não muito diferente do que foi Cuba para o século passado. O ponto a ser considerado é por que, até hoje, a atenção ao social se moveu de maneira paralela, porém não concomitante, ao desenvolvimento científico e tecnológico. E isso desde os grandes surtos industrializantes no século XIX, seja nos EUA ou na Alemanha, como casos clássicos.

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A ciência para acabar com a pobreza: se a China pode, por que não podemos?

A ciência para acabar com a pobreza: se a China pode, por que não podemos?

Traduzido por mim para a Executive Intelligence Review

 

O Instituto Schiller está circulando essa resolução a nível internacional.

Junte-se a nós!

Atualmente existem mais de 200 milhões de pessoas pobres na Iberoamérica e no Caribe – quase um terço da população total da região – e esta porcentagem tem crescido nos últimos anos. A pobreza não é uma condição natural do homem; ela pode ser eliminada em uma geração. Mas não se vai chegar a esse resultado agindo como se o problema não existisse, nem lamentando o triste fato, nos resignando frente a sua existência; muito menos adotando posturas ideológicas tão impotentes como falsas, como por exemplo, colocando a culpa nos “mercados”.

A China tem demonstrado que se pode eliminar a pobreza e que há uma ciência para isso. A China reduziu o número de pobres de 875 milhões em 1981, a 30 milhões em 2018 – uma redução de 97%! –, segundo as estatísticas do Banco Mundial. E o governo de Xi Jinping se comprometeu a eliminar completamente a pobreza no país até o ano 2020.

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Genocídio e liberalismo

voyager1.net

A facção liberal internacional aponta hoje para um ainda mais estranha imagem do “fim da história”: de um lado, um sistema bancário/financeiro que não consegue viver sem juros baixos, próximos a 0%. Como uma instituição financeira sobrevive sem seu lucro primário, ou seja, o que vem dos juros dos empréstimos bancários? Ainda mais, a possibilidade de aumento da taxa de juros coloca em risco a solvência de todo esse sistema montado ao redor da City de Londres e Wall Street.

Por outro lado, a facção ultraliberal, com seus expoentes mais significativos nos EUA e Europa, lançam uma campanha de guerra incidiosa contra a Rússia e a China, seja pelo !eixo do Pacífico” criado por Obama para conter os “avanços chineses” no chamado Mar da China, com o avanço da OTAN nas fronteiras da Rússia e o uso do “direito de proteger” invocado por Tony Blair em 1999, num prelúdio do que seria todas as justificativas para as “intervenções humanitárias”, desde a Guerra do Iraque até hoje.

O iminente colapso do sistema financeiro transatlântico, como apontado por inúmeras instituições internacionais de diferentes visões políticas, assim como a crescente escalada militar que parte do ocidente para o oriente, traçam duas linhas que podem convergir e levar à impossbilidade de qualquer regime chamado liberal no planeta. O genocídio anda de braços dados com o liberalismo, seja em ações de baixa intensidade (medidas de austeridade econômica, sanções econômicas, guerra comercial, etc.), até a criação de golpes de Estado e a ameaça de guerra, numa etapa bastante acelerada de uma nova Guerra Fria, muito mais “quente” que a anterior.

É essa dicotomia entre liberalismo e genocídio que procurei explorar nesse artigo.

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Os Mísseis Foram Lançados pela Mentira Britânica

Presidente Assad da Síria e Presidente Putin da Rússia, na Síria, dezembro de 2017.

Da Executive Intelligence Review

17 de abril, 2018 – Declaração do LaRouchePAC

O presidente da França, Emmanuel Macron, estupidamente se gabou, em 15 de abril, numa entrevista em rede nacional, de que ele, junto com a primeira-ministra da Inglaterra, Theresa May, convenceram Trump a reverter sua própria política e manter “as tropas na Síria por um período mais longo”. Esse pronunciamento ultrajante significa que não só a Grã-Bretanha e a França querem dos Estados Unidos outra guerra sem fim no Oriente Médio, mas uma confrontação cada vez mais intensa com a China e a Rússia.

Como disse ontem em Londres um ex-diplomata russo, “esse caminho leva à loucura”. Hamlet falou em desprezo às nações que guerreiam por territórios tão pequenos que nem davam terreno suficiente para sustentar uma batalha. Hoje os países estão sendo lançados rumo a uma guerra mundial termonuclear baseado em fatos que nunca ocorreram. […]

Lula e não Sérgio, mas Aldo Moro

O cativeiro de Aldo Moro. Qualquer coincidência com a prisão política de Lula pode não ser mero acaso.

Olhar para a história italiana da década de 1970 é como olhar para a história atual do Brasil num espelho invertido. Lá, a derrota começa com o assassinato de seu maior líder político, Aldo Moro. A tentativa de assassinato político de Lula, que é vista no conjunto onde se vemos o processo de impeachment, a tentativa de fechar o Partido dos Trabalhadores, e a imposição impopular de medidas econômicas colonizadoras, parece que faz reverter o sentido da história. A facção ultraliberal se move aceleradamente para o suicídio. O problema é que, antes disso, querem levar a maior parte da população junto com eles.

Para quem acha que comprar Lula com Mandela ou Gandhi é extremamente vago ou só serve para colocar nosso maior líder político como morto, o caso de Aldo Moro mostra uma continuidade real com o caso Lula, ou seja, permite traçar uma continuidade histórica quase que concreta entre casos distintos, e que demonstra o similar desenvolvimento das mesmas forças políticas, tanto do lado retrógrado quanto de movimentos progressistas da humanidade.

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A cultura dos 80 segundo o Matador de Passarinho

Rogério Skylab tem uma trajetória peculiar dentro da música brasileira. Pouco se destaca, além de seus posts no Facebook repletos de audiência (em sua maioria nazistóides, segundo o próprio), sua produção escrita, sua crítica literária e musical, que nos conta bastante sobre a história recente do Brasil, do período em que ganhou maturidade e soube escolher suas referências musicais, como Torquato Neto e a chamada Vanguarda Paulista. Acompanhar seus escritos, seu antigo programa na TV, além de sua atuação nas redes, permite traçar toda uma história do Brasil nas últimas décadas. Do “fino” da literatura e da música, de Dr. Silvana a Jojo Todynho (na companhia de análises de alguém não menos capacitado, o escritor Marcelo Mirisola), toda uma teoria do riso, assim como uma história do Brasil emerge. Foi o que procurei traçar nesse texto.

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Aldo entre as “novas” esquerda e direita

 

Aldo Rebelo foi para o PSB disposto a “bater chapa” com o Joaquim Barbosa. Sua permanência no partido seria fundamental para procurar fazê-lo voltar a suas origens, que remontam à militância do avô de Eduardo Campos, Miguel Arraes. Com escolha de Joaquim Barbosa sem a necessidade de eleições internas, ganhou a ala dos oportunistas, a ala paulista e golpista, e ele saiu fora. Dizem alguns que Aldo está “um pouco perdido”. Deve estar mesmo, já que perdeu para a “nova esquerda” no antigo partido dele (com suas pautas multiculturalistas e identitárias) e agora para a “nova direita” com a infeliz trajetória do PSB, mas isso não retira a importância política dessa discreta e importante liderança política, para muito além do tipo de “esquerdismo ilustrado” dos que defendem Ciro Gomes.

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Um caso claramente julgado, mas não esclarecido pela lei

Lula recebe o carinho de crianças no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, de onde acompanhou atos pelo país – Ricardo Stuckert – Brasil de Fato

 

O ato sublime

É incontestável que Lula foi mais do que julgado. Como é corriqueiramente, cotidianamente, desde que emergiu à cena pública, às vezes de forma mais ou menos vigorosa (para o bem ou para o mal), outras de maneira branda, tal como fato consumado (para o bem ou para o mal). Ele agora foi suficientemente julgado de maneira formal, porém nada foi esclarecido legalmente. Contudo, Lula conseguiu criar o fato político que o Moro não queria que fosse criado. Se anos atrás vivemos momentos históricos com o sapo barbudo quando ele sempre dizia “nunca antes na história desse país”, não foi diferente os últimos dias em São Bernardo do Campo. Não é porque é tragédia que não é um momento sublime. Momento dos poetas e dos titãs. […]

Como nasceu o termo “fake news”? O “Russiangate” e a crise política nos EUA

MIKHAIL/POCHUYEV/TASS/ALAMY

Os jornais da imprensa internacional inventaram o termo “fake news” logo após a eleição de Donald Trump nos EUA. Foi uma vitória que surpreendeu muitas pessoas e os ultraliberais de lá (facção que interpartidária, neoliberal e pró-guerra, como Hillary Clinton e John McCain) começar a acusar os russos de terem interferido nas eleições americanas. É como Putin sempre diz quando perguntado sobre o assunto (ver a entrevista dada a NBC logo após seu pronunciamento bombástico em 1º de março): “Não existem qualquer provas de que o Estado russo tenha interferido em eleições estrangeiras. Contudo, nenhum ofício do governo americano foi enviado à minha administração. O que existe são acusações da imprensa e de ex-funcionários do governo hoje investigados. Os EUA dizem para mim que podem interferir nas eleições de qualquer país porque estão levando a democracia, mas os russos não podem porque são autocratas” (tradução não literal da entrevista acima citada). […]

O que é uma obra de arte? A revista Documents, de Georges Bataille

 

 

A criação de uma não-revista: o único meio de se falar de Arte

Aos 31 anos de idade, Georges Bataille passou a dirigir, de forma oculta, a revista Documents, durante apenas dois anos, mas não menos decisivos, 1929 e 1930. Deveria ser, pelo menos na intenção de seus patrocinadores, uma “verdadeira” revista de arte, fartamente ilustrada, com edições luxuosas e seguindo as diretrizes iconográficas, como apontadas por nomes como Erwin Panofsky, Fritz Saxl e Piero Toesca. “Mas, como se sabe, Bataille fez muito mais do que jogar aquele jogo. Parafraseando aqui sua célebre expressão relativa à noção, ou, antes, ao uso do dicionário, poderíamos dizer que, para ele, uma revista de arte devia começar – ou começar a explodir – a partir do momento em que não oferecesse mais o sentido, mas as tarefas das imagens[1]”. A negação do que seria o sentido em arte, a tarefa da iconologia, fez da Documents a revista de arte por excelência, ou seja, ao negar o sentido e colocar em funcionamento a tarefa das imagens: […]