Já ir, Bolsonaro? O candidato humano, demasiado humano

Bolsomimo

Aquele que tem medo, aquele que gera o ódio mas não sabe dele se livrar. Muito humano, demasiado. Quase como o anão, o Temer. Para quê temer Bolsonaro? Uma espuma, um vento, uma mera trovoada. Para quem assistiu a cultura da década de 1990, inebriante e efêmero como É o Tchan! Bolsonaro é a Carla Perez da vez. Indiscutivelmente pornográfico. E fugaz.

Masturbações…

Como Temer, ele é a reedição intempestiva da cultura e da política dos 1990, e Bolsonaro tinha que ser um de seus ícones. Por quais motivos se falar tanto de uma figura dessas? Só se for um papo entre masturbadores…

 O candidato que tem medo: Regina Duarte, outro fenômeno dos 1990. Só que ele diz que vai resolver na bala. Será? Ou ele mesmo quer se resguardar do tiroteio?

 A análise que segue à baixo é séria, ainda mais caso se levar em conta que não são nem um pouco sérios os que ao menos cogitam essa versão pop-90 no poder. É muito elitismo, muito menosprezo à inteligência do povo sequer acreditar que um candidato sem sequer partido que o acolha possa, em algum grau, ser “um perigo”. Sem Temer! Sem Temer!

 Vocês tem que levar à sério a fala de vocês. 

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H. G. Wells e a Conspiração Aberta

Foto de Shelagh Bidwell inspirada no livro “A máquina do tempo”.

Conhecido escritor de obras de ficção científica, H. G. Wells, como muitos dos escritores desse gênero literário, tem a fama de serem como que profetas de tempos futuros. Quando se olha para o escritor inglês, contudo, vemos a humanidade reduzida a refém de poderes extraterrestres e escravos do aprimoramento tecnológico, como no livro “A guerra dos mundos”, onde as bactérias derrotam os marcianos, e não a humanidade, ao todo, impotente.

Como corolário da incapacidade dos seres humanos de enfrentarem os próprios desafios, mais complexos com o passar do tempo, Wells foi publicista das ideias discutidas nos altos círculos do Império Britânico que o fizeram ser, além de escritor de ficção científica, também um dos pioneiros na produção de literatura pornográfica. “Seu talento era, como ele implicitamente descreve a si mesmo, um homem com o olhar de um proxeneta para suscetibilidade de sua clientela depravada com fantasias sexuais não tão escondidas”.

Suas três antecipações de acordo com as ideias da elite dirigente que o patrocinava foram 1) armas nucleares, 2) governo mundial, 3) masturbação neo-malthusiana, ou seja, ambientalismo. Armas nucleares e governo mundial vemos agora no íntimo entrelaçamento entre a política bélica ocidental reunida em torno da OTAN e as diretrizes de “crescimento zero”, de atentado à soberania nacional, feitas pelo sistema financeiro transatlântico, seja através de FMI, Banco Mundial ou correlatos. São duas forças que andam juntas. Na parte mais “estética”, mais “soft” das políticas imperialistas, o ambientalismo como meio de alavancar o “crescimento zero”, como nas “tecnologias apropriadas” para a África e não projetos de integração regional com alto grau de investimentos, para dar um exemplo. 

Balcanização e não desenvolvimento dos Estado-nacionais soberanos. A prática da chamada Guerra Fria, como no macartismo passado e como no atual, talvez ainda mais intenso (e que sentimos como nunca aqui no Brasil). Profeta do caos, das ideias nefastas dos círculos dirigentes internacionais. Este, H. G. Wells.

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A pobreza é nordestina e infantil

Banco Mundial aponta redução expressiva da extrema pobreza no Brasil — Rede Brasil Atual

Diminuição do Bolsa Família, fim do programa de cisternas e do de aquisição de alimentos: dinamitação do mercado interno em favor de supostos investimentos estrangeiros, aliado ao teto dos gastos, para pagar a dívida impagável cobrada por esses mega-conglomerados “investidores”. Uma volta ao Brasil de Celso Furtado, ao Brasil que o economista lutou por modificar. Não precisa nem da Reforma da Previdência: caso o semi-presidencialismo passe, aliado à reforma trabalhista, numa economia onde o rentismo é ainda mais forte do antes da crise de 1929, teremos uma volta à República Velha com contornos dramáticos. Qualquer retrocesso é dramático e, na quadra atual, não há outro nome para esse tipo de atividade política além de genocídio.

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A Nova Rota da Seda e o Cone Sul

Os que se chamam liberais nunca puderam ser tão contestados depois da crise financeira (ainda atual). Ressuscitaram mortos com a ajuda estatal, que por sua vez ficou mortalmente comprometida. A China, com novos objetivos de financiamento da economia mundial, traça uma outra geografia internacional. Na Nova Rota da Seda aparece a centralidade de países como a Bolívia, um mar de equilíbrio em meio aos descalabros no sul do continente, e que pode ser o centro da integração regional nos próximos anos.

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Benjamin e o olhar petrificante

Fotografia da montagem de Esperando Godot, por Nelson Kao

O famoso Anjo da História, de Paul Klee, da forma como ficou conhecida pela descrição feita por Walter Benjamin, seria o que identifica a História com os vencedores, ou seja, não exatamente com o que está nas histórias oficiais, mas com os que fica de fora da própria história. Ele é o “anão corcunda” das teses sobre o conceito de História, que move o autômato chamado Turco. A história oficial conta as façanhas da máquina, porém não revela, como Benjamin, seu mecanismo invisível.

Como um ritornelo infernal, a criança que aparece na peça de Beckett para falar que “Godot não vem, mas amanhã ele virá”, é semelhante ao tipo de teleologia menos da “historiografia” – como se chama -, do que das narrativas oficiais ou majoritárias, sejam elas historiográficas ou não. Apontam para um fim que não vem enquanto a ruína de destroços se espalha por nosso caminho, ainda maior quanto mais fortes forem os ventos que foram chamados de “progresso” por Benjamin. O resultado pode ser visto tanto no quadro de Klee, Angelus Novus, quanto no Melancolia, de Dürer, e chamado nas famosas teses “Sobre o conceito de História”, de acedia, ou seja, tristeza ou melancolia. 

Que espécie de tristeza (acedia) nos leva a nos identificar com os monstros do passado, com os vencedores contumazes, com os supostos anjos salvadores da História? No centro da crítica de Benjamin, a social-democracia. No Brasil, os identificados ideologicamente ou partidariamente com essa vertente ocupam os postos chaves que movem a economia nacional. As sobrevivências na história, os anacronismos no tempo presente… E novamente somos levados pelas prestidigitações do anão turco, o que vence todos os jogos de xadrez, como se por força de uma inteligência invisível ou do acaso… Será com o terrível Leviatã que sonha os que oferecem a solução para nossa mazelas? Um governo de salvação nacional, com o Supremo, com tudo… 

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A Condor judiciária e a integração regional

Por que agora quando se fala em Lava-Jato se esquece o nome Petrobras e só se fala em Odebrecht? Será por nacionalismo? Por que “corrupção” agora tem como sinônimo Odebrecht e não Petrobras como anteriormente?

No meio de tudo, imagens idílicas passam a despontar na grande mídia, que passa a mostrar os campos do pré-sal como um Eldorado. Quando não interessa mais ao desenvolvimento nacional, mas como propaganda para justificar a rapina em curso, ou seja, mais de uma década depois dos investimentos cruciais que levaram ao domínio técnico, único no mundo, que nos fizeram extrair petróleo de alta qualidade do fundo do mar, finalmente desponta como “algo bom” os recursos naturais que até então serviriam para financiar a educação e a saúde, garantir o conteúdo nacional, e trazer o retorno dos vultuosos investimentos realizados por nossa maior empresa nacional. Quando se muda o modo de exploração desses recursos, quando a lógica colonial entra novamente em jogo, o Brasil aparece novamente como o Eldorado dos recursos naturais abundantes.

No Brasil, querendo ou não, o nome Petrobras está sempre no centro da questão, mesmo quando se prendem engenheiros peruanos, ou seja, quando se mudam as prioridades nacionais em favor dos interesses do Atlântico norte e não daqueles que vêm do Pacífico. O ataque da Condor judiciária na América do Sul – agora sob o signo Odebrecht – vem para desmantelar os projetos de integração regional e desfazer parcerias estratégicas com o governo chinês, dentro do contexto da Nova Rota da Seda, a mesma que financiou e construiu o Canal da Nicarágua, para ultrapassar de vez a dependência dos contato entre o Pacífico e o Atlântico através do Panamá, ou seja, dos EUA.

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