Violência social e ativismo judiciário: da Lei da Ficha Limpa a PEC 37

Do consenso interpartidário em 2010 à tentativa de se limitar os poderes (inclusive financeiros) do Ministério Público, em 2013, dois momentos de nossa política mostram como se chegou à violência social atual, desde os perseguidores de pivete de Raquel Sheherazade até o Power Point de Deltan Dellagnol. Fora esses dois casos grotescos, as consequências do ativismo judiciário e da convulsão social são derivadas de medidas que mereceram o apoio ou a omissão de ambos os lados do espectro político. No caso a ser julgado no TRF-4 nos próximos dias, até o Irã com seu Conselho de Guardiões é mais plural do que o Brasil. Lá, 6 clérigos e seis juízes decidem quem pode ou não ser candidato. Na atual situação brasileira, 4 juízes terão esse poder em breve.

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A estátua e a liberdade

A rainha sendo entronizada, na França, antes de iluminar a América

O Angelus Novus, como visto por Walter Benjamin em suas Teses sobre o conceito de história, é a história à contrapelo das imagens com que se querem representar a liberdade. A história da estátua chamada Liberdade conta sua apropriação pela monarquia e como os motes revolucionários dos séculos XVIII e XIX foram utilizados para legitimar o Império, no caso, a aliança anglo-americana que começara a se gestar.

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Orfeu e a tarefa do negro no Brasil

Léa Garcia na bela imagem no Morro da Babilônia, palco do filme Orfeu Negro

“Na rota dos propósitos revolucionários do Teatro Experimental do Negro vamos encontrar a introdução do herói negro com seu formidável potencial trágico e lírico nos palcos brasileiros e na literatura dramática do país”. Abdias Nascimento

O documentário de Silvio Tendler, Haroldo Costa – o nosso Orfeu, conta a história desse personagem que foi ator, bailarino, diretor, radialista, carnavalesco, criado no Teatro Experimental do Negro com Abdias Nascimento e Guerreiro Ramos. Para ele, ser negro no Brasil não é exercer um papel, mas ter uma tarefa. Saber da contribuição do negro para a sociedade brasileira, porém não se identificar com seus esteriótipos. Colocar em tudo o que faz o coração, a alma da herança que traz em si que, mesmo subentendido, deixa claro o que foi a escravidão e o que é o legado dos africanos no Brasil. Não é como exercer o papel em uma novela, recheada de esteriótipos e nais quais o negro logo desaparece. E quem aparece logo depois na primeira capa do jornal? O negro preso, bandido, capturado – assim como os jornais mostravam naquela suposta época remota, a da escravidão. 
 

A tarefa do negro no Brasil é fazer reverter esse sinal, ou seja, fugir da carnavalização de sua figura, denunciar os preconceitos, e ser tão grande quanto qualquer representante da cultura “branca”. Haroldo Costa dirigiu o programa no Canal 13, no dia 13 de maio, onde Guerreiros Ramos entrevistou Antônio Cândido, o Almirante negro. Três figuras de ponta que mostram não apenas o que é a tarefa do negro na sociedade brasileira, mas o que pode ser sua contribuição para a humanidade. Esse o legado brasileiro em uma imagem. 

Texto dedicado à Rogério Skylab

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História ou ficções? Por que ainda ser tão positivista?

William Turner – Luz e cor (a teoria de Goethe)

Em artigo recente, a Folha de São Paulo colocou um escrito de um cidadão de nome Leandro Narloch para fazer uma crítica da escrita dos historiadores. O escriba em questão costuma publicar manuais sobre práticas ditas politicamente incorretas, aos quais dá o nome de “guia”. É um best-seller cujo sucesso mostra as ramificações da imprensa marrom no mercado editorial e suas contribuições para a cultura de guerra acentuada nos últimos anos.

Ele contesta, por exemplo, a suposta dificuldade de historiadores se utilizarem de pontos finais em suas frases. Retruca também sobre algumas terminologias que para ele parecem incômodas, mas que de fato são uma aporia da escrita historiográfica, a mediação entre a precisão conceitual e a expressão literária bem-sucedida. Sem surpresa, a Folha convoca alguém incompetente para falar de um assunto que nunca lhe diz respeito, já que nunca escreveu um livro de história.

 Além da prática que para ele é inexistente, ignora todo o debate intelectual na esteira da “virada linguística” nas décadas de 1970-80, com debates dos mais interessantes sobre os limites entre ficção e história, desde Paul Ricouer, Hayden White, Paul Veyne, Hans Ulrich Gumbrecht e até o brasileiro, com um trabalho muito sólido, o professor Luiz Costa Lima. Fora isso, existem toda uma série de publicações no ramo da história das mídias, que vai de Friedrich Kitler, Jonathan Crary e Stefan Andriopoulos. Sem falar de historiadores e filósofos conhecidos como Georges Didi-Huberman, Jacques Rancière e Giorgio Agamben, que trataram sobre a questão das imagens, das figuras literárias e da escrita científica. Isso para ficar num apanhado geral.

Como dar uma resposta, ainda que breve, a esse tosco artigo, não menos ridículo que seu autor ou o veículo que o publicou? É o que tentarei por aqui.

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Texto na Folha de São Paulo pede guerra na Venezuela. Por que a Revolução Bolivariana incomoda tanto?

Por que a obsessão midiática com a Venezuela, a ponto de se defender uma intervenção militar no país como fez a Folha de São Paulo? 

Roberto Santana, responde por meio de uma rápida análise de alguns indicadores sociais venezuelanos melhores que os do Brasil e pelo grau de participação política nos dois países.

 

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Por que um novo Bogotazo? Por que assassinar politicamente Lula?

Uma das imagens do infame Bogotazo

Da página criada por esse blogueiro, União Revolução e Estado Democrático. Clique no link e siga a página.

Por que assassinar Gaitán?

O ministro Eugênio Aragão, em publicação essa semana na revista Carta Capital (985), faz um chamado à paz, mesmo que esta seja considerada como um grito de guerra: “sempre é bom lembrar duas coisas: uma, como já dizia Lafayette, pode-se fazer muitas coisas com baionetas, menos sentar-se em cima delas; outra, a história é um processo contínuo e sua marcha é inexorável; quanto mais se reprime, mais a resposta será dura. Senão hoje, amanhã ou depois”.

Defender Lula é defender o processo menos traumático para nossa democracia, pensando mesmo no lado dos nossos opositores: “a saída negociada ainda é a que oferece menos riscos e pode desembocar num cenário de transição mais suave. Lula é essa saída. Fechá-la é abrir espaço para o descontrole do processo político, que vitimizará, em primeiro lugar, os repressores e seus instigadores”..

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Equipe que dirige o golpe contra Trump também dirige a tropa de choque da Lava-Jato para destruir o Brasil e o Cone Sul

A demonização do inimigo

Poderia até pedir desculpas pela afirmativa contundente, mas a questão é que o mesmo grupo político nos EUA que tentam derrubar Trump pela balela do chamado “Russiangate”, derrubaram Dilma e estão umbilicalmente ligados ao Ministério Público brasileiro. O promotor Robert Muller, encarregado de investigar as “conexões russas” de Trump e a suposta influência dos antigos soviéticos nas eleições americanas, dirige Andrew Weissman, especialmente designado por Muller para compor sua tropa de choque após este ter ocupado a chefia da Seção de Fraudes do DOJ (Departamento de Justiça americano). Como já é sabido, Weissman foi retirado da equipe de caça às bruxas porque deixou muito claro sua parcialidade a favor de Clinton e seu servilismo diante da procuradora geral de Obama. Agora cada vez que se menciona Weissman na imprensa estadunidense, é para fazer referência à profunda corrupção que inunda o Departamento de Justiça e o FBI.

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