A cultura dos 80 segundo o Matador de Passarinho

Rogério Skylab tem uma trajetória peculiar dentro da música brasileira. Pouco se destaca, além de seus posts no Facebook repletos de audiência (em sua maioria nazistóides, segundo o próprio), sua produção escrita, sua crítica literária e musical, que nos conta bastante sobre a história recente do Brasil, do período em que ganhou maturidade e soube escolher suas referências musicais, como Torquato Neto e a chamada Vanguarda Paulista. Acompanhar seus escritos, seu antigo programa na TV, além de sua atuação nas redes, permite traçar toda uma história do Brasil nas últimas décadas. Do “fino” da literatura e da música, de Dr. Silvana a Jojo Todynho (na companhia de análises de alguém não menos capacitado, o escritor Marcelo Mirisola), toda uma teoria do riso, assim como uma história do Brasil emerge. Foi o que procurei traçar nesse texto.

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O Mais Médicos e os dilemas para uma Medicina Social

No último livro do Roberto Machado, ele se dá a liberdade de finalmente não ser o teórico ou o professor. Diz que finalmente pôde exercitar a prática literária, algo que sempre deixou de lado por causa dos estudos filosóficos. Não tinha tempo para a literatura. Aposentado, não escreveu um livro de ficção, mas de histórias, de relatos da convivência pessoal que teve com Michel Foucault nas suas passagens aqui pelo Brasil, onde Roberto parecia ser seu guia e também seu estudante mais aplicado. Num documentário recente que assisti sobre o Mais Médicos, programa marcado para morrer em breve (talvez por volta de novembro os médicos cubanos comecem a ir embora). É porque quando estavam na Bahia, foram visitar o Pelourinho. E lá Foucault viu a realidade da prostituição, da pobreza humana, dos esgotos a céu aberto. E aí ele exclamou (palavras minhas do que ouvi da palestra do professor, ou seja, não literais): “Mas Roberto, tudo bem que escrevi sobre a medicina social, fiz uma crítica forte a respeito, mas isso aqui é indecente”.

O curioso do documentário do Mais médicos são os questionamentos sobre como tratar sem descuidar, sem, por medidas de força (nem que seja a força moral da autoridade médica), populações com práticas sociais e médicas totalmente diferentes? Onde, por exemplo, a religião assume um papel ainda preponderante, e que não é por um suposto saber científico, por mais “suave” que seja, irão conseguir atingir.  Todo um campo de estudo pode ser aberto caso olhemos para essas histórias.

 

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Foucault, Leiris e os canhões: sobre o fazer literário atual

Michel Leiris por Francis Bacon, 1973.

Como escrever hoje? Somos “pequenos Hans”, Chéri-Bibi em busca de uma “boa identificação”? Eis alguém como eu! Eis alguém como eu! Em meio às redes sociais, a crítica que Foucault faz da Aufklärung kantiana, e A regra do jogo, da escrita de si, de Michel Leiris, podem nos fornecer importantes subsídios.

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Falenas: o problema do surgimento de uma nova linguagem (antropologias foucaultianas III)

Como se comunicam as palavras na noite das imagens. (foto: Anne-Lise Broyer) [extrato] Tratando-se de imagens, é particularmente necessário renunciar às pretensões da metafísica, quando esta forja “um conjunto de concepções tão abstratas e, por conseguinte, tão vastas, que nele caberia todo o possível, e mesmo o impossível, ao lado do real”, enquanto que o Leia mais sobreFalenas: o problema do surgimento de uma nova linguagem (antropologias foucaultianas III)[…]

ANTROPOLOGIAS FOUCAULTIANAS II: o caso Schiller sob o signo da cortina de ferro

Busto de Friedrich Schiller feito no séc. XIX por Arnold Hermann Lossow. Na série iniciada chamada de Antropológicas, discutimos a formação da “bela alma”, num claro repúdio à filosofia kantiana. Na sua História da Religião e da Filosofia na Alemanha, Heinrich Heine compara o “chinês de Königsberg” ao líder máximo do Terror, Maximilien Robespierre: “No entanto, se Leia mais sobreANTROPOLOGIAS FOUCAULTIANAS II: o caso Schiller sob o signo da cortina de ferro[…]

ANTROPOLOGIAS FOUCAULTIANAS I: “Libertar-se do ‘velho chinês’ de Königsberg”

Michel Foucault e Benedito Nunes na praia do Marahú – Belém, 1970. Será que ali discutiam Kant? Ou foi por inpiração do “velho chinês” que Foucault foi parar na praia do Marahu? ANTROPOLOGIAS FOUCAULTIANAS I Por Rogério Mattos: rogerio_mattos@hotmail.com Essa série, Antropologias foucaultianas, se destina à discussão depossíveis leituras foucaultianas, desde a tradição filosófica até Leia mais sobreANTROPOLOGIAS FOUCAULTIANAS I: “Libertar-se do ‘velho chinês’ de Königsberg”[…]

Reflexões sobre o Aberto

A divisão do trabalho social, a partir do século XX, atingiu um nível de refinamento que praticamente podemos falar de uma “revolução neolítica” no século anterior, o XIX. Neste, ainda se podia ver o tempo da charrua e o tempo da igreja, de Jacques Le Goff; um mundo rural relativamente predominante, quando os mercadores ainda Leia mais sobreReflexões sobre o Aberto[…]