Genocídio e liberalismo

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A facção liberal internacional aponta hoje para um ainda mais estranha imagem do “fim da história”: de um lado, um sistema bancário/financeiro que não consegue viver sem juros baixos, próximos a 0%. Como uma instituição financeira sobrevive sem seu lucro primário, ou seja, o que vem dos juros dos empréstimos bancários? Ainda mais, a possibilidade de aumento da taxa de juros coloca em risco a solvência de todo esse sistema montado ao redor da City de Londres e Wall Street.

Por outro lado, a facção ultraliberal, com seus expoentes mais significativos nos EUA e Europa, lançam uma campanha de guerra incidiosa contra a Rússia e a China, seja pelo !eixo do Pacífico” criado por Obama para conter os “avanços chineses” no chamado Mar da China, com o avanço da OTAN nas fronteiras da Rússia e o uso do “direito de proteger” invocado por Tony Blair em 1999, num prelúdio do que seria todas as justificativas para as “intervenções humanitárias”, desde a Guerra do Iraque até hoje.

O iminente colapso do sistema financeiro transatlântico, como apontado por inúmeras instituições internacionais de diferentes visões políticas, assim como a crescente escalada militar que parte do ocidente para o oriente, traçam duas linhas que podem convergir e levar à impossbilidade de qualquer regime chamado liberal no planeta. O genocídio anda de braços dados com o liberalismo, seja em ações de baixa intensidade (medidas de austeridade econômica, sanções econômicas, guerra comercial, etc.), até a criação de golpes de Estado e a ameaça de guerra, numa etapa bastante acelerada de uma nova Guerra Fria, muito mais “quente” que a anterior.

É essa dicotomia entre liberalismo e genocídio que procurei explorar nesse artigo.

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Lula e não Sérgio, mas Aldo Moro

O cativeiro de Aldo Moro. Qualquer coincidência com a prisão política de Lula pode não ser mero acaso.

Olhar para a história italiana da década de 1970 é como olhar para a história atual do Brasil num espelho invertido. Lá, a derrota começa com o assassinato de seu maior líder político, Aldo Moro. A tentativa de assassinato político de Lula, que é vista no conjunto onde se vemos o processo de impeachment, a tentativa de fechar o Partido dos Trabalhadores, e a imposição impopular de medidas econômicas colonizadoras, parece que faz reverter o sentido da história. A facção ultraliberal se move aceleradamente para o suicídio. O problema é que, antes disso, querem levar a maior parte da população junto com eles.

Para quem acha que comprar Lula com Mandela ou Gandhi é extremamente vago ou só serve para colocar nosso maior líder político como morto, o caso de Aldo Moro mostra uma continuidade real com o caso Lula, ou seja, permite traçar uma continuidade histórica quase que concreta entre casos distintos, e que demonstra o similar desenvolvimento das mesmas forças políticas, tanto do lado retrógrado quanto de movimentos progressistas da humanidade.

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Aldo entre as “novas” esquerda e direita

 

Aldo Rebelo foi para o PSB disposto a “bater chapa” com o Joaquim Barbosa. Sua permanência no partido seria fundamental para procurar fazê-lo voltar a suas origens, que remontam à militância do avô de Eduardo Campos, Miguel Arraes. Com escolha de Joaquim Barbosa sem a necessidade de eleições internas, ganhou a ala dos oportunistas, a ala paulista e golpista, e ele saiu fora. Dizem alguns que Aldo está “um pouco perdido”. Deve estar mesmo, já que perdeu para a “nova esquerda” no antigo partido dele (com suas pautas multiculturalistas e identitárias) e agora para a “nova direita” com a infeliz trajetória do PSB, mas isso não retira a importância política dessa discreta e importante liderança política, para muito além do tipo de “esquerdismo ilustrado” dos que defendem Ciro Gomes.

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Como nasceu o termo “fake news”? O “Russiangate” e a crise política nos EUA

MIKHAIL/POCHUYEV/TASS/ALAMY

Os jornais da imprensa internacional inventaram o termo “fake news” logo após a eleição de Donald Trump nos EUA. Foi uma vitória que surpreendeu muitas pessoas e os ultraliberais de lá (facção que interpartidária, neoliberal e pró-guerra, como Hillary Clinton e John McCain) começar a acusar os russos de terem interferido nas eleições americanas. É como Putin sempre diz quando perguntado sobre o assunto (ver a entrevista dada a NBC logo após seu pronunciamento bombástico em 1º de março): “Não existem qualquer provas de que o Estado russo tenha interferido em eleições estrangeiras. Contudo, nenhum ofício do governo americano foi enviado à minha administração. O que existe são acusações da imprensa e de ex-funcionários do governo hoje investigados. Os EUA dizem para mim que podem interferir nas eleições de qualquer país porque estão levando a democracia, mas os russos não podem porque são autocratas” (tradução não literal da entrevista acima citada). […]

Lula em “pratos limpos”

Os juizes celebridades italianos

Praticamente toda a “força tarefa” da “mani pulite” se engajou na política.

Texto de minha autoria publicado no Brasil Debate

Ao tratar da Lava Jato, o presente artigo busca não os desdobramentos da operação, mas suas origens, no artigo escrito em 2004 por Sérgio Moro em que exalta a operação Mãos Limpas, na Itália. A colaboração da Transparência Internacional foi fundamental para que a operação fosse realizada, assim como os movimentos de consolidação do sistema euro no país. Buscamos os fundamentos históricos de ambos os fenômenos no que Michel Foucault chamou de “grande encarceramento”, e os fundamentos filosóficos a partir do conceito de “sistema da crueldade”, de Friedrich Nietzsche. Trocam-se as “mãos limpas”, como o protótipo de muitos juízes, Pôncio Pilatos, pelos “pratos limpos”: com Lula, pratos limpos por causa da fome saciada; com Moro, por causa do aumento alarmante da miséria. […]

O Oculto, Hitler e Wall Street

 

Hitler participou de movimentos ocultistas desde sua juventude e sua biografia está repleta de fatos misteriosos que deixam entrever uma espécie de predestinação satânica que o levaria ao poder. Porém, outras forças ocultas, materiais até em demasia, o alçaram ao cargo e financiaram desde o início o seu projeto, como os Warburg, Harriman, Thyssen, além dos lobbies de Prescott Bush (avô de Bush Jr.) que ajudou no fornecimento de armas aos nazistas além de ter enriquecido sua família. A história de Hitler com o ocultismo nos mostra que sem conhecer o deus chamado mercado, cultuado desde o estabelecimento do Império Britânico, não se pode compreender qualquer tirania atual, desde a da Troika e demais políticas de austeridade financeira, até as políticas de mudança de regime, com armas ou com “revoluções coloridas”, no Brasil e no mundo.

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Violência social e ativismo judiciário: da Lei da Ficha Limpa a PEC 37

Do consenso interpartidário em 2010 à tentativa de se limitar os poderes (inclusive financeiros) do Ministério Público, em 2013, dois momentos de nossa política mostram como se chegou à violência social atual, desde os perseguidores de pivete de Raquel Sheherazade até o Power Point de Deltan Dellagnol. Fora esses dois casos grotescos, as consequências do ativismo judiciário e da convulsão social são derivadas de medidas que mereceram o apoio ou a omissão de ambos os lados do espectro político. No caso a ser julgado no TRF-4 nos próximos dias, até o Irã com seu Conselho de Guardiões é mais plural do que o Brasil. Lá, 6 clérigos e seis juízes decidem quem pode ou não ser candidato. Na atual situação brasileira, 4 juízes terão esse poder em breve.

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A estátua e a liberdade

A rainha sendo entronizada, na França, antes de iluminar a América

O Angelus Novus, como visto por Walter Benjamin em suas Teses sobre o conceito de história, é a história à contrapelo das imagens com que se querem representar a liberdade. A história da estátua chamada Liberdade conta sua apropriação pela monarquia e como os motes revolucionários dos séculos XVIII e XIX foram utilizados para legitimar o Império, no caso, a aliança anglo-americana que começara a se gestar.

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História ou ficções? Por que ainda ser tão positivista?

William Turner – Luz e cor (a teoria de Goethe)

Em artigo recente, a Folha de São Paulo colocou um escrito de um cidadão de nome Leandro Narloch para fazer uma crítica da escrita dos historiadores. O escriba em questão costuma publicar manuais sobre práticas ditas politicamente incorretas, aos quais dá o nome de “guia”. É um best-seller cujo sucesso mostra as ramificações da imprensa marrom no mercado editorial e suas contribuições para a cultura de guerra acentuada nos últimos anos.

Ele contesta, por exemplo, a suposta dificuldade de historiadores se utilizarem de pontos finais em suas frases. Retruca também sobre algumas terminologias que para ele parecem incômodas, mas que de fato são uma aporia da escrita historiográfica, a mediação entre a precisão conceitual e a expressão literária bem-sucedida. Sem surpresa, a Folha convoca alguém incompetente para falar de um assunto que nunca lhe diz respeito, já que nunca escreveu um livro de história.

 Além da prática que para ele é inexistente, ignora todo o debate intelectual na esteira da “virada linguística” nas décadas de 1970-80, com debates dos mais interessantes sobre os limites entre ficção e história, desde Paul Ricouer, Hayden White, Paul Veyne, Hans Ulrich Gumbrecht e até o brasileiro, com um trabalho muito sólido, o professor Luiz Costa Lima. Fora isso, existem toda uma série de publicações no ramo da história das mídias, que vai de Friedrich Kitler, Jonathan Crary e Stefan Andriopoulos. Sem falar de historiadores e filósofos conhecidos como Georges Didi-Huberman, Jacques Rancière e Giorgio Agamben, que trataram sobre a questão das imagens, das figuras literárias e da escrita científica. Isso para ficar num apanhado geral.

Como dar uma resposta, ainda que breve, a esse tosco artigo, não menos ridículo que seu autor ou o veículo que o publicou? É o que tentarei por aqui.

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H. G. Wells e a Conspiração Aberta

Foto de Shelagh Bidwell inspirada no livro “A máquina do tempo”.

Conhecido escritor de obras de ficção científica, H. G. Wells, como muitos dos escritores desse gênero literário, tem a fama de serem como que profetas de tempos futuros. Quando se olha para o escritor inglês, contudo, vemos a humanidade reduzida a refém de poderes extraterrestres e escravos do aprimoramento tecnológico, como no livro “A guerra dos mundos”, onde as bactérias derrotam os marcianos, e não a humanidade, ao todo, impotente.

Como corolário da incapacidade dos seres humanos de enfrentarem os próprios desafios, mais complexos com o passar do tempo, Wells foi publicista das ideias discutidas nos altos círculos do Império Britânico que o fizeram ser, além de escritor de ficção científica, também um dos pioneiros na produção de literatura pornográfica. “Seu talento era, como ele implicitamente descreve a si mesmo, um homem com o olhar de um proxeneta para suscetibilidade de sua clientela depravada com fantasias sexuais não tão escondidas”.

Suas três antecipações de acordo com as ideias da elite dirigente que o patrocinava foram 1) armas nucleares, 2) governo mundial, 3) masturbação neo-malthusiana, ou seja, ambientalismo. Armas nucleares e governo mundial vemos agora no íntimo entrelaçamento entre a política bélica ocidental reunida em torno da OTAN e as diretrizes de “crescimento zero”, de atentado à soberania nacional, feitas pelo sistema financeiro transatlântico, seja através de FMI, Banco Mundial ou correlatos. São duas forças que andam juntas. Na parte mais “estética”, mais “soft” das políticas imperialistas, o ambientalismo como meio de alavancar o “crescimento zero”, como nas “tecnologias apropriadas” para a África e não projetos de integração regional com alto grau de investimentos, para dar um exemplo. 

Balcanização e não desenvolvimento dos Estado-nacionais soberanos. A prática da chamada Guerra Fria, como no macartismo passado e como no atual, talvez ainda mais intenso (e que sentimos como nunca aqui no Brasil). Profeta do caos, das ideias nefastas dos círculos dirigentes internacionais. Este, H. G. Wells.

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