Aldo entre as “novas” esquerda e direita

 

Aldo Rebelo foi para o PSB disposto a “bater chapa” com o Joaquim Barbosa. Sua permanência no partido seria fundamental para procurar fazê-lo voltar a suas origens, que remontam à militância do avô de Eduardo Campos, Miguel Arraes. Com escolha de Joaquim Barbosa sem a necessidade de eleições internas, ganhou a ala dos oportunistas, a ala paulista e golpista, e ele saiu fora. Dizem alguns que Aldo está “um pouco perdido”. Deve estar mesmo, já que perdeu para a “nova esquerda” no antigo partido dele (com suas pautas multiculturalistas e identitárias) e agora para a “nova direita” com a infeliz trajetória do PSB, mas isso não retira a importância política dessa discreta e importante liderança política, para muito além do tipo de “esquerdismo ilustrado” dos que defendem Ciro Gomes.

Dizem alguns interlocutores que Aldo Rebelo se encontra um tanto quanto “perdido” nos últimos tempos. Não acredito que se deva à mera troca de partidos ou que isso tenha feito que, apesar de toda a “união das esquerdas” que se prega, ele tenha traçado um caminho independente. Aldo se sentiu inviabilizado dentro do PC do B por causa das pautas identitárias e multiculturalistas que ganharam um espaço, talvez para ele intolerável, nos últimos tempos. Ele foi para o PSB ocupar o vácuo deixado não com a morte do Eduardo Campos, mas pela guinada à direita dele e de seu partido em 2014. Lula propôs a Eduardo ser vice na chapa da Dilma naquele ano e em 2018 ele sairia como cabeça de chapa com um vice do PT. Pude escrever extensamente sobre isso em outra ocasião, onde coloquei todas as fontes (clique aqui para ler).

O PSB foi o partido que ganhou mais prefeituras em 2012, quando a esquerda teve sua maior vitória eleitoral da história. Lembrem-se que enquanto Barbosa e Mendes comemoravam a vitória no “mensalão”, faziam com um travo amargo na boca. Com o calendário do julgamento rigidamente atrelado às eleições por Ayres Britto, todo o circo publicitário agendado pelo partido da mídia e do judiciário contra a esquerda parecia ter ruído, já que, na prática, não surtiu efeito algum. O PSB é uma força no nordeste, onde, por exemplo, o PSOL não entra de jeito nenhum, e era muito bem administrado por Eduardo Campos, com altíssimas taxas de aprovação (não muito diferente da Bahia de Jaques Wagner). O problema agora no partido é exatamente a ala paulista do PSB (Mário França) que abraçou o golpe, e a ala nordestina, pernambucana, com o governador Paulo Câmara. No refluxo, Aldo entrou. Não se deve esquecer que do esplendor em 2010-14, até a queda talvez irreversível em 2016, houve a desfiliação de Roberto Amaral, figura-chave para a condução partidária em rumos progressistas. Entre uma maré e outra, o PSB, ao arrepio de qualquer “união das esquerdas”, fica novamente desfigurado.

Aldo foi para o PSB disposto a “bater chapa” com o Joaquim Barbosa (palavras textuais do próprio). Sua permanência no partido seria fundamental para procurar fazê-lo voltar a suas origens, que remontam à militância do avô de Campos, Miguel Arraes. Ganhou a ala dos oportunistas e ele saiu fora. Deve estar perdido mesmo, já que perdeu para a “nova esquerda” no antigo partido dele e agora para a “nova direita” com a infeliz trajetória do PSB…

Entre todos os fatores apontados, deve ser de fato algo desconfortável se filiar ao Solidariedade, partido novo, híbrido e que congrega forças como o Paulinho “sindicalista”. É uma situação similar ao do deputado carioca Paulo Ramos. Militante histórico do PDT, por causa do esvaziamento do partido, de lutas internas, foi parar no PSOL. Tempos depois, voltou ao partido de Vargas e Brizola… Sem ser camaleão como Ciro Gomes, não deve ser fácil não só ser “independente”, como se diz (afirmativa ambígua), mas ter toda uma carga de lutas históricas em seu currículo e não encontrar uma instituição que atenda de maneira mais ampla ao gosto exigente dessas duas figuras aqui mencionadas. A saga desses dois políticos diz muito sobre a constituição dos partidos políticos em nosso país.

Só um contraponto: fala-se muito sobre a suposta iminência de Haddad numa corrida presidencial sem Lula. Eu desconfio muito. Por conversas com amigos que trabalham com parlamentares do PT, assim como as declarações de Lula, principalmente depois da caravana no nordeste, acredito que o Jaques Wagner tenha muito mais chances do que o prefeitinho. E mais: puxa os votos do nordeste, é muito maduro para os debates e inúmeras vezes mais experiente que o paulista. Com as alianças certas, com ou sem Lula, o PT será uma força eleitoral inquestionável em 2018. A possível candidatura de Celso Amorim no Rio de Janeiro e a própria candidatura de Dilma em Minas são bons sinais para fazer a ponte “nordeste-sudeste”. Deve-se lembrar que ela ganhou de Aécio em Minas, apesar de todos os prognósticos contrários. Com a deterioração completa dessa liderança, ela pode repetir o feito em outro embate direto. Fernando Pimentel, apesar da crise, parece não ser um governador fraco. Somado ao estado de falência dos tucanos, principalmente no governo de São Paulo, como também na candidatura à presidência, o sudeste pode ser um lugar menos inóspito para o PT do que foi em 2014. Celso Amorim será fundamental, caso concorra, para dar ao menos um ar de sanidade na atmosfera inóspita e desesperadora do Rio de Janeiro. Quem sabe ele se capitaliza para uma vitória ou até um segundo turno? O pior problema da direita, entre todos os quesitos, é não ter candidatos fortes como antigamente para as áreas executivas.

Com isso, ou seja, ao falar de Jaques Wagner, relato só uma possibilidade que para mim é maior (que distopia esse negócio de Ciro-Haddad!, sonho de “cabeças-de-planilha” que vestem vermelho…). No mais, os que cantam o fim do PT por causa da prisão de Lula,  isso é muito prematuro. É reduzir o maior partido de esquerda fora da China um nome (Lula) e se esquecer da história do partido, de toda a máquina eleitoral que possui e, mais importante, seu enraizamento social. Quando Lula elegeu o poste, não acredito que ele teve dons mágicos ou “carismáticos”. As vitórias do PT vão muito além das explicações dadas por uma vã sociologia, ainda mais aquelas “uspianas” (sempre ali, nessa universidade, como sempre lembra o professor Jessé) sobre um imponderável “lulismo”…

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